terça-feira, 27 de setembro de 2011

GENÉTICA É TUDO?



GENÉTICA É TUDO?

Segundo o dicionário de língua portuguesa Houaiss, genética é a ciência que estuda as funções dos genes e os fenômenos da hereditariedade. Partindo deste ponto, acredito ser errado dizer que alguém tem boa ou má genética. Penso que alguém pode ter genes bons ou ruins. Dito isso, o próprio título desta coluna pode ser colocado em discussão ao abordar o desenvolvimento de alguns atletas, que seriam privilegiados pela genética ( ou seria por genes bons? Confuso isso, não?) Para não aumentar a confusão, vou utilizar o termo genética para me referir também ao desenvolvimento.

Branch Warren
É muito comum no fisiculturismo ouvirmos que fulano ou beltrano tem uma boa genética, por isso tem um belo shape e está sempre em forma. Mas até onde essa afirmação pode ser verdadeira? Branch Warren, um dos  maiores atletas da modalidade, duas vezes seguidas entre os três primeiros do Mr Olímpia e atual campeão do Arnold Classic, é conhecido pelo grande volume muscular – um verdadeiro touro. Esse, com certeza, tem genes pra lá de privilegiado quando o assunto é desenvolvimento muscular, certo? Errado. O próprio atleta revelou em entrevistas que, por não possuir uma genética boa, precisou compensar isso com muito treino, dieta e modo de vida espartano, e anos, muitos anos de luta até conseguir subir no pódio.

O que me parece é que muitos atletas, ou aspirantes a tal, se utilizam do argumento da boa genética do adversário para justificar suas derrotas. Em um esporte em que as competições de alto nível são decididas nos detalhes, e muitas vezes um pequeno erro na dieta as vésperas da prova pode colocar o trabalho de meses no lixo, é preciso ficar atento a tudo. Nos primórdios da musculação acreditava-se que quanto mais treino melhor, depois veio a cultura de quanto mais comida melhor. Hoje se sabe que nem uma nem  outra coisa estão 100% corretas. Treinos intensos não podem ultrapassar um limite máximo de tempo, o repouso entre os treinos dos mesmos grupos deve ser obedecido, a dieta deve ser rigorosa – o que se come e que horas é tão ou mais importante do que quanto se come. Por último, paciência para esperar anos, até o resultado final, olhar crítico para descobrir quais músculos precisam de mais atenção e disciplina.
De nada adianta o sujeito crescer só de olhar para a barra com pesos se ele não se alimenta direito. Ou então, para aqueles que não perdem a definição nunca ( privilegiados), nada vai adiantar isso se o seu volume for pequeno. Atribuir tudo à genética é desmerecer os anos de treino duro que os top enfrentam, suas dietas surreais de 9 a 10 refeições por dia, as dores musculares, lesões, os compromissos sociais cancelados em nome do repouso e da alimentação regrada. Ninguém chega ao topo só porque foi privilegiado com genes “bons”.
Com a proximidade dos jogos olímpicos o tema genética no esporte ganha cada dia mais força nos noticiários esportivos. Seres-humanos “transgênicos são uma possibilidade, mas ninguém assume isso como realidade. Correr mais rápido, saltar mais alto, levantar mais peso, tudo isso pode ser conseguido com doping, genético ou não, mas nada substitui o talento natural e o treino duro.
O professor Fabio Gianolla colocou uma questão interessante em um e-mail. Para ele, um indivíduo pode ser privilegiado por bons genes não apenas fisicamente, mas intelectualmente. Assim como gênios das artes plásticas, músicos, escritores, cientistas. Genética é algo muito mais amplo do que imaginamos. É claro que alguns praticantes de esportes e mesmo atletas terão e têm mais dificuldade de se sobressair do que outros que se dedicam de igual forma, aí, acredito, cabe levantar questões como mudança de treino ou mesmo se o sujeito já não esgotou seu potencial para aquilo. Em uma reportagem recente no canal SporTV sobre os malefícios para a saúde dos esportes de alto rendimento ( quando atletas chegam a treinar oito, às vezes dez horas por dia), foi levantada a questão de que quem tem mais tolerância à dor vai mais longe. Mas a que preço? Lesões e seqüelas para o resto da vida. Seria essa tolerância a dor provocada por bons ou maus genes? Pois bem, genética não é tudo. Antes de desistir ou achar que o seu colega de academia tem uma genética boa, veja como está o treino dele e compare com o seu, sua dieta, repouso etc. Esgote todas as suas possibilidades antes de culpar outra coisa pelo insucesso.

Por Franck Rodrigues
JMF – Edição 84 pag. 44/45






ARTROSE DE JOELHOS E EXERCÍCIOS



Alguns trabalhos científicos documentaram maior prevalência de artrose de joelhos em atletas de futebol e de levantamento de peso. No primeiro caso o fator determinante principal parece ser o trauma dos impactos e torções repetidas e, no segundo caso, o maior peso corporal. Por outro lado, existem estudos evidenciando maior espessura das cartilagens dos joelhos em atletas e esportistas, o que se supõem ser decorrente dos estímulos de compressão e descompressão que favorecem a nutrição e a vitalidade das cartilagens.
Revisão de literatura publicada em 2011 na revista Medicine and Science in Sports and Exercises conclui que os exercícios em geral são mais benéficos do que prejudiciais com relação à artrose de joelhos. Nesse trabalho não há nenhuma referência a exercícios de musculação inadequadas. Esse assunto foi introduzido pelos especialistas consultados para a reportagem de 17/03/2011 do jornal Folha de São Paulo. Os exercícios agachamento completo, “leg press” convencional em plano inclinado e cadeira extensora foram citados não por poderem induzir artrose de joelhos ou outras doenças e lesões, mas por produzirem maiores sobrecargas nos joelhos. Quando as pessoas já apresentam artrose inicial, desgaste de meniscos ou fragilidade de ligamentos pode ocorrer dor ou desconforto nesses exercícios, que nessas situações devem ser realizados com adaptações ou substituídos. O fortalecimento muscular estabiliza as articulações e deve ser o objetivo terapêutico principal dos exercícios em diversas situações de doenças e lesões.
Sobrecarga é aumento de função e não é indesejável. Ao contrário, as sobrecargas são responsáveis pelas adaptações favoráveis a função e a integridade das estruturas que ocorrem no organismo como respostas aos exercícios. A maior vitalidade das cartilagens dos joelhos dos esportistas citada na referida revisão é produzida pelas sobrecargas dos exercícios. No entanto, sobrecargas maiores devem ser evitadas na presença de doenças e lesões.
O leg press desenvolvido no Instituto Biodelta é uma grande contribuição para a ciência do treinamento resistido porque nesse aparelho as sobrecargas maiores que caracterizam o leg press convencional em plano inclinado são muito reduzidas. O curso dos movimentos em segmento de arco alivia o esforço nos meniscos e nos ligamentos do joelho e o sistema de alavancas com pesos livres permite a redução acentuada da carga nas posições de maior vulnerabilidade das articulações. Os profissionais pós-graduados em fisiologia do exercício e treinamento resistido das instituições CMS estão capacitados para esclarecer artigos sobre trabalhos científicos e afirmações de especialistas, freqüentemente mal interpretados.

Por Professor Dr. José Maria Santarém – Instituto Biodelta
JMF – Edição 84 pag 74

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